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1o. de maio em Santos - O Espírito de Seattle ONDE SOPRAM OS VENTOS "The answer my friend is blowing in the wind" Bob Dylan "Nunca ví uma reunião preparatória para 1 de maio com tanta gente", disse um dos 62 participantes do seminário "Espírito de Seattle" que se realizou em hoje no sindicato dos Petroleiros em Santos, São Paulo. A reunião transcorreu tranquila e amigável e foi marcada pelo relato singelo de Ana, Presidente do Sindicato de Trabalhadores Domésticos de Campinas e Região, a única sindicalista brasileira que participou ativamente das manifestações em Seattle. Ana contou que dentro do Metrô, a caminho do Encontro em um Estádio de onde sairia a Grande Marcha de Seattle contra a OMC, encontrou nada mais nada menos que o Vicentinho, aquele mesmo presidente da CUT contratado da Globo e que agora tá "ficando" com FHC. Enquanto Ana se dirigia ao Estádio, o Vicentinho fugia dele. Apesar de estar em Seattle, à véspera de uma das maiores e mais genuínas manifestações de trabalhadores da história, Vicentinho virava as costas a todos aqueles a quem diz representar! Já notaram como ele tem uma cara de rato? Enquanto nossos irmãos norte-americanos eram presos (alguns companheiros da Inglaterra estão presos até hoje) e recebiam balas de borracha defendendo interesses que também são nossos, o pelego se mandava antes da luta começar. Mas o que mais dói é que nas "festas do 1 de maio do ABC", os trabalhadores mais sofridos deste país estarão aplaudindo Vicentinho, o candidato a Prefeito de não sei lá das quantas. Isso me faz lembra Oscar Wilde quando declarou que que o fato mais trágico da Revolução Francesa foram os camponeses famintos de Vandrée concordando em morrer defendendo a causa do feudalismo. Prosseguindo em seu relato Ana declarou que teve problemas ao retirar seu visto pela maior quantidade de pigmentos em sua pele. Enquanto outras pessoas passavam normalmente ela era obrigada a provar que tinha casa no Brasil e que não estava interessada em morar nos Estados Unidos. Ana descreveu o esforço ridículo da Imprensa norte-americana em desmerecer e disvirtuar o caráter das manifestações de 30 de novembro, declarou sua admiração pelo alto nível de organização dos grupos anarquistas, "grupos como este aqui existem aos montes lá". Ana observou que, "o trabalho em bancos, supermercados, aeroportos, serviços, tão disputados aqui no Brasil, não são desejáveis lá nos Estados Unidos, ninguém quer fazer esse tipo de trabalho, o que interessa é pesquisa e coisas do gênero, daí que, quando você sai na rua, a impressão que se tem é que apenas os latinos é que trabalham". Intervi relembrando que as manifestações de 30 de novembro em Seattle, Estados Unidos, se constituiu na segunda onda após os protestos de 16 de junho, seguindo a programação da AGP (Ação Global dos Povos) tirada em uma conferência na India em 1998 por inúmeras entidades [inclusive o MST]. Numa bola de neve que não para de crescer, engrossada pela AJG (Ação por Justiça Global) e principalmente pelo insurgente Bloco Revolucionário Anti-Capitalista de Washington, composto por anarquistas e marxistas anti-estado, está formada uma sequencia de ações em cadeia determinada, não a reformar, mas a acabar com o FMI (Fundo Monetário Internacional), BM (Banco Mundial), OMC (Organização Mundial do Comércio) e CIC (Camara Internacional do Comércio), as quatro colunas do Sistema Capitalista. Dentro dessa linha as manifestações em Praga, em setembro irão bater de frente com os 6.000 delegados do FMI/BM. Morel, secretário do Centro de Cultura Social de São Paulo, um dos mais antigos redutos anarquistas do Brasil, declarou que, embora sendo um dos fundadores da CUT (proposta CUT pela BASE), "desde 82 estamos comemorando o 1 de maio na sede do CCS" evitando participar dos showmícios promovidos por sindicatos oficiais e partidos políticos, acrescentou que os trabalhadores nunca deixaram de querer ir à luta, "o MST parou a Avenida Paulista no meio da semana em plena quarta feira", mas que essa mesma luta não interessa a esses sindicatos oficiais, pois, a exemplo do que ocorreu no Leste Europeu, o que eles defendem não é socialismo mas "uma forma de capitalismo alternativo". Um representante do CAVE (Coletivo Alternativa Verde) afirmou que existe sindicato na baixada santista que possui 132 diretores e que em determinadas manifestações, contra o desemprego, por exemplo, essas dezenas de entidades e sindicatos assinam os panfletos e manifestos mas não conseguem reunir mais que algumas poucas dezenas de pessoas, ou seja, nem mesmo a diretoria desses sindicatos comparecem às suas próprias manifestações. "Outro dia ví uma imágem surrealista que mostra o momento dessa esquerda brasileira. Em cima do palanque um cara vestido de papai-noel segurando uma bandeira do PCdoB é rebolando a música do than." Referindo-se ao poder econômico e estratégio da baixada santista afirmou que é por alí que entra a grana e que "só o Porto de Cubatão movimenta 1 bilhão de dólares por ano". Lembrou que o meio ambiente continua sendo destruído, e que centenas de trabalhadores após adoecerem contaminados por metais pesados e chumbo, são jogados à sua própria sorte no olho da rua. "Essa é uma prática da Refinaria Presidente Bernardes" disse. Um rapaz do movimento Afro-Americano lembrou que ainda em Santos, em 29 de abril, haverá um evento cultural de protesto contra a discriminação de caiçaras, indios, nordestinos e afro-americanos, na Rua das Tulipas no Bairro de Santo Antônio, ao lado da Rodoviária. Moésio Rebouças pediu um maior empenho dos grupos libertários da Baixada Santista, para que participem ativamente nas preparações dos eventos, pois as tarefas ficam muito pesadas se restritas a apenas 3 ou 4 pessoas. Até 1 de Maio em Santos no "Espírito de Seattle". Alvimar