\n'; document.write(barra); } } changePage();
Sem-terra iniciam ocupação em massa em Pernambuco
|
|
Domingo, 30 de abril de 2000, 22h09min
Cerca de 3 mil famílias de trabalhadores sem-terra iniciam nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira uma jornada de ocupações em todo o Estado de Pernambuco, lideradas pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetape) e dentro de uma ação que envolve as federações ligadas à Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). A previsão da entidade é a de que sejam invadidas 40 áreas, das quais 34 tinham sua ocupação confirmada na tarde do último domingo.
No Pará, as rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá estão interditadas desde a tarde de hoje por cerca de 1.500 trabalhadores e produtores rurais. O bloqueio faz parte de manifestações de protesto do Grito Amazônia 2000, marcadas para amanhã.
Eixo
Em Pernambuco, a área vizinha a Vitória de Santo Antão será o eixo das ações do movimento de ocupação, seguida da região de Petrolina, no Vale do São Francisco, e de Jaqueira, na zona da Mata Sul do Estado. De acordo com o diretor de Política Agrária da Fetape, João Santos da Silva, este é o terceiro ano em que a entidade realiza mobilizações no 1º. de Maio. "É uma forma de protestar contra a política do governo para a reforma agrária, e também buscar uma luz no fim do túnel para milhares de trabalhadores, que vão poder ocupar um pedaço de terra onde trabalhar e viver dignamente."
Entre as regiões em que as ações estão confirmadas, o alvo de preocupação da Fetape é a Mata Sul, em Jaqueira, onde a ocupação de uma das áreas poderá enfrentar resistência. Trata-se segundo a direção da entidade, de um engenho pertencente à Destilaria São Luiz, onde o arrendatário estaria se armando para impedir a ocupação. Nos últimos quatro anos, 46 áreas foram ocupadas sob a coordenação da Fetape.
As ocupações nesses quatro anos envolveram 4.119 famílias, em 22.483 hectares. Dessas áreas resultaram 49 assentamentos, nos quais se estabeleceram 3.920 famílias, em sua maioria na Zona da Mata.
Bloqueio
Os cerca de 1.500 trabalhadores e produtores rurais que bloqueiam as rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá, que se cruzam à altura do km 30, em Itaituba, na região oeste do Pará, vêem dos municípios de Rurópolis, Aveiro, Jacareacanga, Trairão e Novo Progresso. Eles colocaram tratores, armaram barracos e improvisaram tendas de lona no meio das duas rodovias, provocando engarrafamento.
O bloqueio faz parte das manifestações de protesto marcadas para hoje, do Grito Amazônia 2000, que incluem a invasão de várias fazendas no Estado. A mobilização começou logo cedo em Mosqueiro, distrito de Belém, com a invasão da Fazenda Mari-Mari por 200 famílias sem-terra que já haviam sido despejadas do local há um mês pelo juiz José Maria Teixeira do Rosário. O Movimento dos Sem-Terra (MST), anunciou a ocupação de fazendas em Marabá, Curionópolis, Parauapebas, Itupiranga, Tucuruí e Eldorado do Carajás.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará e Amapá (Fetagri), que ao lado do MST e sindicatos de várias regiões do Pará organizam as manifestações de amanhã, declarou aberto o Grito Amazônia 2000. O objetivo é reunir 50 mil trabalhadores rurais nos municípios de Marabá, Castanhal, Santarém, Altamira, Igarapé-Miri e Tucuruí. "São locais considerados estratégicos para a realização de atos de protesto contra a lentidão da reforma agrária e a situação em que se encontram os trabalhadores do campo, abandonados pelos governos federal e estadual", disse coordenador da Fetagri no Estado, Airton Faleiro.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaituba, Luís Ivan Alves de Oliveira, informou que o bloqueio no entroncamento das rodovias só será suspenso quando o governo federal negociar uma "extensa pauta de reivindicações" com os trabalhadores. Eles exigem o asfaltamento das duas rodovias, anistia de suas dívidas do Fundo Constitucional do Norte (FNO), manutenção da idade limite para a aposentadoria rural em 55 anos para homem e 50 anos, para mulher, eletrificação rural e postos de saúde. Em razão do quebra-quebra no prédio da Secretaria de Segurança Pública, no dia 17, durante manifestação de protesto pelos quatro anos da morte de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás, a cidade de Belém ficou de fora da programação. A Polícia Militar entrou de prontidão nos quartéis para reprimir novas passeatas na capital.