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Invasões ficam abaixo do esperado pela Contag
Invasões ficam abaixo do esperado pela Contag
Foram 44 em 12 Estados, de acordo com entidade, e 21, segundo estimativa do Incra
- A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) não conseguiu realizar todas as invasões de terras previstas para ontem. Das 71 ocupações programadas pela entidade em 12 Estados, apenas 44 foram confirmadas.
- Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) registrou apenas 21 ocupações em todo o País - uma no Espírito Santo e as demais em Pernambuco. "Essa jornada revelou-se, como o previsto, um fracasso", afirmou em Brasília o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. O ministério anunciou que as áreas invadidas ontem não serão vistoriadas, ou seja, não serão desapropriadas para fins de reforma agrária.
- Pelo levantamento da Contag, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetap) conseguiu fazer 39 das 40 ocupações programadas. A entidade também registrou invasões de três fazendas em Minas e duas no Rio Grande do Norte.
- Racha
- No Pará, o Dia Nacional de Ocupações de Terras coincidiu com as manifestações do Grito da Amazônia 2000 e foi marcado pelo racha entre a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará e Amapá (Fetagri), ligada à Contag, e o Movimento dos Sem-Terra (MST). O ponto alto das manifestaçãoes no Estado foi um ato público em comemoração ao Dia do Trabalho, na ligação entre as Rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá, em Itaituba, no oeste paraense. A manifestação reuniu 2.500 mil agricultores e pequenos produtores rurais da Fetagri e dos sindicatos e associações de trabalhadores da região.
- "O MST, por aqui, não manda nada", afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaituba, Luís Ivan Alves de Oliveira, ao ser perguntado se o MST fazia parte do protesto. As duas rodovias estão fechadas desde anteontem e só serão liberadas quando os governos federal e estadual atenderem a uma série de reivindicações.
- Diretora da Fetagri, Rita Serra culpou o próprio MST pela ausência. "Foi o MST quem não compareceu", disse. No entanto, segundo outros dirigentes, a exclusão do MST nos protestos do Grito Amazônia 2000 foi causada pelo apedrejamento do prédio da Secretaria de Segurança Pública em Belém, no dia 17.
- Além do Pará, de acordo com o Incra, houve manifestações em São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Pernambuco e Sergipe. No ano passado, trabalhadores liderados pela Contag e federações estaduais ocuparam um total de 201 imóveis, com a participação de mais de 15 mil famílias.
- Prazo
- As cerca de 700 famílias de sem-terra que ocupam desde 13 de março a fazenda Parque Florestal Douradinho, próxima a Uberlândia, Triângulo Mineiro, têm até as 18 horas de hoje para deixar o local. Caso contrário, a Polícia Militar poderá utilizar a força para desfazer o acampamento dos trabalhadores, cumprindo mandado do juiz Armando Ferro. O Movimento de Libertação dos Sem- Terra (MLST), que coordena as famílias, informou que elas estão dispostas a resistir à desocupação. O governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), buscava, até a noite de ontem, uma solução pacífica para o caso. (Renato Andrade, Carlos Mendes, especial para o Estado, e Evaldo Magalhães)
