Nostalgia marca evento da CUT em S

Nostalgia marca evento da CUT em S. Bernardo

Festa de 1º de Maio organizada pela CUT reuniu 15 mil pessoas

LILIANA PINHEIRO

A festa do Dia do Trabalho promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no ABC reuniu cerca de 15 mil pessoas, menos de um terço do público esperado, que era de 50 mil pessoas. O estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, que no passado chegou a ter sua capacidade para 100 mil pessoas totalmente esgotada, em históricas assembléias dos metalúrgicos, desta vez recebeu platéia bem diferente: o público era predominantemente adolescente, interessado nos shows de rap contratados pela Central.
O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, anunciou a sua saída do cargo para fazer campanha politica. Ele é candidato do PT à prefeitura de São Bernardo do Campo. O vice-presidente, João Vaccari Neto, receberá hoje o cargo, mas disse que vai discutir com a diretoria a possibilidade de indicar outro nome para presidir a CUT nos próximos quatro meses. Em agosto, haverá congresso da Central e Vaccari é candidato à presidência, mas prefere fazer sua campanha afastado.
O fato de a CUT ter atraído pouca gente para a festa do Trabalhador, reflete, segundo Vicentinho, a realidade do movimento sindical hoje, de muito menor poder de mobilização por causa do desemprego.
Ele mesmo lembrou do dia 1º de maio de l980, quando o estádio de Vila Euclides era o maior símbolo de luta por aumento salarial e pela democracia.
Na época, a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estava presa e a entidade, sob intervenção. Vicentinho era então um simples militante.
"Hoje, o movimento sindical tem de ter outras preocupações", disse Vicentinho. Ele lembrou que a CUT está apostando no projeto de criação da Agência de Desenvolvimento Solidário, que pretende utilizar recursos públicos para financiar cooperativas, microempresas e auto-emprego. "Ou o movimento sindical se preocupa com a economia informal, ou tende a desaparecer."
Em relação à Força Sindical, a Central rival que reuniu em seu evento ontem quase um milhão de pessoas em São Paulo, ele disse que foi por causa dos sorteios de carros e apartamentos e não por capacidade de mobilização.
Enfraquecimento - Vinte anos depois do 1º de Maio em Vila Euclides, também o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu a debilidade atual do sindicalismo. "Obviamente estamos enfraquecidos em relação a 1980", afirmou. Para ele o desemprego e a economia informal tiram a força do sindicalismo. Lula também considerou o momento político, de democracia, menos propício para mobilizações de massa.
Sobre o fato de a Força Sindical ter reunido uma multidão de trabalhadores para sua festa, Lula disse que isso se deveu ao festival de sorteios. Ele afirmou também que a CUT não deve seguir esse modelo, e sim continuar insistindo em atos mais politizados.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, afirmou que o sindicalismo precisa mudar para sobreviver. Segundo ele, o sindicato não pode ficar mais fora das empresas. Ele defendeu a eleição de comitês sindicais de base em cada fábrica, uma experiência que começa a ser tentada no ABC.
Como em todo 1º de Maio, neste não faltou uma convocação de greve. O presidente estadual da CUT, José Lopez Feijó, convocou para o dia 2 de julho uma greve nacional de metalúrgicos por redução de jornada de trabalho.