500 famílias ocupam área do Frifort

500 famílias ocupam área do Frifort

A área dos currais do antigo Frifort foi ocupada ontem por volta das seis da manhã. Hoje a Procuradoria Geral do Município apresenta recurso para reintegração de posse

Cerca de 500 pessoas ocuparam, na manhã de ontem, o terreno do extinto Frigorífico Industrial de Fortaleza (Frifort). A ocupação é apoiada pela União das Comunidades da Grande Fortaleza (UCGF), Movimento Alternativo e União das Mulheres Cearenses (UMC). Outras 1.500 famílias teriam sido cadastradas pelos organizadores do movimento e também deveriam ocupar o local.

De acordo com Francisco Iranildo da Silva, diretor da UCGF, os ocupantes do terreno são de diversos bairros de Fortaleza. ``São pessoas que moravam de aluguel, mas que agora não têm mais condição de pagar para morar. Muitas delas estão desempregadas'', afirma.

Ele explica que a área do Frifort foi escolhida para ocupação porque estava sem atividade. ``Como o pessoal está precisando de moradia digna, a gente resolveu ocupar este terreno antes que a Prefeitura venda a área para particulares'', diz Iranildo.

A ocupação começou por volta das 6 horas de ontem. Duas horas depois, um grupo de 40 policiais militares chegou ao local para garantir a integridade física do prédio do Frifort. ``Agora está tudo tranqüilo: a gente fez um acordo com as lideranças do movimento para que eles não invadam as dependências físicas do frigorífico'', explica o tenente-coronel Francisco Sérgio Farias, do 6° Batalhão da Polícia Militar.

Os ocupantes estão dividindo a área em lotes de 6 por 15 metros. Os organizadores do movimento pretendem deixar espaços entre os lotes para a abertura de ruas. ``A gente não quer que isso aqui fique com uma aparência de uma favela'', explica Francisco Iranildo.

De acordo com Robério Carvalho, liquidante do Frifort, a Procuradoria Geral do Município vai requerer a reintegração de posse do terreno na manhã de hoje. ``Como estão ocupando uma área que não é deles e onde não há benfeitorias, o juiz deve deferir o pedido'', afirma. Ele estima que amanhã os ocupantes sejam retirados do local.

O terreno ocupado ontem mede 21 hectares. Antes da extinção do Frifort, a área era utilizada como curral para o gado abatido no frigorífico. No mês de abril, a área foi a leilão, mas não houve compradores interessados em pagar o lance mínimo de R$ 2,3 milhões.

O processo de extinção do Frifort começou em abril do ano passado. Na ocasião, o prefeito Juraci Magalhães enviou um projeto de lei à Câmara Municipal requerendo a dissolução, liquidação e extinção do órgão. Dos 144 funcionários do Frifort, 101 optaram pelo Plano de Rescisão Voluntária proposto pela Prefeitura de Fortaleza.



Servente ergue casa de taipa

Francisco Antônio Pinheiro é casado e tem uma filha de 5 anos. Na manhã de ontem, ele saiu da casa alugada onde mora com a família para construir seu novo lar: um barraco de taipa erguido num lote de 40 metros quadrados nos currais abandonados do extinto Frifort.

Antônio chegou cedo ao terreno, ocupado por cerca de 500 pessoas de diversos bairros de Fortaleza. Ele diz estar lá porque não tem mais condição de pagar os R$ 30,00 mensais pelo aluguel da casa onde mora, no Conjunto São Miguel (zona oeste de Fortaleza). ``Trabalho como servente, mas agora estou desempregado'', justifica.

Ele diz que a esposa e a filha devem se mudar para lá assim que o barraco estiver de pé. Segundo Antônio, os homens da Polícia Militar podem ser designados a qualquer momento para retirar as famílias do local. ``Não matando e nem quebrando as pernas da gente, não tem problema, não'', resigna-se.